É pouco eu seiMas é o que háO que eu posso oferecerAlém dessa vontadeDe fazer o mundo sorrir?É tanto eu seiO que há para fazerEu só tenho uma vidaE essa força de vontadeDe nunca e nunca desistirDe que valem as palavrasSe não se faz o que se fala?Eu quis te dar o mundoE esqueci que basta um abraçoÉ pouco eu seiE há tanto a saberSer mais seguro e decididoApostar no impossívelQue ainda vale a intençãoÉ tudo o que seiE há tempos fujo dissoCom medo do improvávelDe acreditar que o acasoTambém tem um coraçãoDe que valem minhas palavrasSe não faço o que eu falo?Eu so queria uma chanceE provar que se pode ser feliz.
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Ano após ano, constantemente fluem
em direção ao mar os Sete Rios;
as nuvens passam e a luz do Sol rebrilha,
os caniços e os salgueiros ainda ondulam,pela manhã e à noite, porém nunca maisdesceram navios em rumo ao Ocidente,através das águas mortais, como desciam antese todas as suas canções emudeceram.
J. R. R. Tolkien (traduzido por William Lagos).
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As sombras em que habitam os ChoramingasSão escuras e úmidas como tinta nanquim.Sua campainha toca baixo e lentamente,À medida que você afunda no lodo.Você afunda no lodo, se algum dia ousarIr bater à porta de sua casa,Onde gárgulas sorridentes espiam fixamenteE as águas fétidas se derramam.Ao lado da margem apodrecida da corrente,Pranteiam os salsos-chorões,E as corvogórgonas pousam lugubremente,Crocitando enquanto dormitam.Através das Montanhas dos Falcões-Vigias o passo é longo e cansativoPor um vale mofado em que todas as árvores são cinzentas de bolor,À beira de uma poça grande e escura, que nem vento, nem maré agita,Sem lua e sem sol, é que se escondem os Choramingas.Os porões em que se assentam os ChoramingasSão profundos, úmidos e frios,Iluminados pela luz doentia de uma única vela,É ali que eles contam o seu ouro.Suas paredes escorrem e seus tetos pingam;Seus pés sobre o assoalhoCaminham de leve, em borrifos e esguichos,Enquanto eles deslizam até a porta.Espiam ardilosamente através de uma fenda,Seus dedos se esgueiram a tatear;E, quando terminarem, irão buscar um saco,Para colocar os seus ossos e guardar.Além das Montanhas dos Falcões-Vigias, a estrada é longa e cansativa,Através da sombra das aranhas, cruzando o Pântano dos Sapos Mortos,Através de um bosque de árvores de enforcados e de erva-de-patíbulo,Você vai encontrar os Choramingas e os Choramingas vai alimentar.JRR Tolkien (tradução de William Lagos)