sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Choramingas...



As sombras em que habitam os Choramingas
São escuras e úmidas como tinta nanquim.
Sua campainha toca baixo e lentamente,
À medida que você afunda no lodo.

Você afunda no lodo, se algum dia ousar
Ir bater à porta de sua casa,
Onde gárgulas sorridentes espiam fixamente
E as águas fétidas se derramam.

Ao lado da margem apodrecida da corrente,
Pranteiam os salsos-chorões,
E as corvogórgonas pousam lugubremente,
Crocitando enquanto dormitam.

Através das Montanhas dos Falcões-Vigias o passo é longo e cansativo
Por um vale mofado em que todas as árvores são cinzentas de bolor,
À beira de uma poça grande e escura, que nem vento, nem maré agita,
Sem lua e sem sol, é que se escondem os Choramingas.

Os porões em que se assentam os Choramingas
São profundos, úmidos e frios,
Iluminados pela luz doentia de uma única vela,
É ali que eles contam o seu ouro.

Suas paredes escorrem e seus tetos pingam;
Seus pés sobre o assoalho
Caminham de leve, em borrifos e esguichos,
Enquanto eles deslizam até a porta.

Espiam ardilosamente através de uma fenda,
Seus dedos se esgueiram a tatear;
E, quando terminarem, irão buscar um saco,
Para colocar os seus ossos e guardar.

Além das Montanhas dos Falcões-Vigias, a estrada é longa e cansativa,
Através da sombra das aranhas, cruzando o Pântano dos Sapos Mortos,
Através de um bosque de árvores de enforcados e de erva-de-patíbulo,
Você vai encontrar os Choramingas e os Choramingas vai alimentar.

JRR Tolkien (tradução de William Lagos)

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